Breves abordagens sobre os conceitos de regência do Método GDS: 

Clareando a foram de utilização do método na construção da

composição corporal do espetáculo teatral infanto juvenil

“A Menina Esqueleto”. 

 

 

E se tudo que é cíclico é um retorno que avança,

Recomeço, 

dizendo o que disse José Gil, 

filósofo português 

ao iniciar seu livro sobre os fundamentos ontológicos da dança,  

“No começo era o movimento”.

 

Sigo citando o que diz José, no capítulo que intitula “O gesto e o sentido”:

 

“Podemos dizer: a dança, por si própria, não significa nada. O gesto dançado, a menos que tenha sido concebido (codificado) para apresentar certa significação precisa, não quer dizer um sentido que a linguagem articulada poderia traduzir de maneira fiel e exaustiva. O gesto é gratuito, transporta e guarda para si o mistério de seu sentido e de sua fruição. 

Podemos dizer o contrário: Porque, apesar de tudo isso, lemos nos gestos do bailarino “frases”, bem escritas ou confusas, sequências de movimentos de onde o sentido irrompe ou de onde se ausenta.”

 

Sugiro aqui esta reflexão, para então descrever como fiz essa fusão entre a construção de uma obra artística pautada no movimento dançado e o GDS como método de construção de linguagem, que me possibilitou contar uma história, sem a palavra, através do corpo.

 

O método GDS além de estar embasado nos fundamentos da biomecânica , se estrutura também nos fundamentos referidos como psico comportamentais. 

 

Esta abordagem coloca em relação nossa biomecanica, a ação do sistema locomotor, com nossos componentes comportamentais e psíquicos. 

 

Indo mais longe poderia dizer que:

Os nossos instrumentos de expressão, que são os conjuntos musculares organizados em cadeias psico-neuro-musculares, moldam formas individuais, moldam a linguagem de um corpo que fala através dos gestos.

 

Então como falar em “frases” de movimento que o bailarino-criador escreve no espaço e não pensar nos fundamentos de um método, que repousa sobre um alfabeto do corpo que conta com 6 letras, 6 direções do espaço, 6 formas e tipologias, seis Arquétipos fundadores da estrutura e do comportamento humano, uma linguagem pronta para escritura! 

 

Focando no alfabeto GDS ,AM, PM, PL, AL, PA, AP(que se referem à localização anatômica das encadeamentos musculares no corpo, por exemplo AnteroMediano) e suas referências arquetípicas.

 

O conceito de arquétipos, na psicologia analítica, significa a forma imaterial à qual os fenômenos psíquicos tendem a se moldar. O termo se refere a estruturas inatas que servem de matriz para a expressão e o desenvolvimento da psique.

 

Segundo Jung, arquétipos são conjuntos de “imagens primordiais” originadas de uma repetição progressiva de uma mesma experiência durante muitas gerações, armazenadas no inconsciente coletivo. 

 

Os nossos seis arquétipos GDS são as referências, que representam seis constituintes da base comportamental humana, alicerce do edifício humano. São os seis personagens que vão alimentar de muitas e muitas maneiras as culturas do planeta!

 

São esses seis arquétipos que repousam sobre a ONDA,

e narram o caminho de uma criança que cresce, ou de um adulto que evolui; no sentido de um mecanismo de geração.

 

A ONDAé o fio condutor de observação destes mecanismos e desenvolvimentos, que nos leva a uma técnica chamada REJEUX, termo este emprestado de Marcel Jousse que diz que a forma resulta da observação e de nosso caminho no contato com a cultura Africana e a proximidade com a criança.

 

REJEUXque significa revivenciar, reviver pela brincadeira, vivênciar de forma simbólica, teatralizar.

 

Os ritos são os rejeuxque consolidam, no humano, suas raízes.

 

O rejeuxpara crescer, um rejeuxque propomos sobre um fio condutor em forma de onda para acompanhar a criança em si, para fazê-la crescer em consciência, autonomia e sabedoria.

 

Os rejeuxpropõem uma escolha de culturas que caracterizam os povos dos cinco continents da Terra. Essas culturas que mergulham longe no passado de suas raízes, nos oferecem um viveiro inesgotável de expressões e de valores humanos, arquetípicos.  

 

“A Menina Esqueleto” é um espetáculo inspirado num conto inuit/esquimó, dos índios do ártico, “A Mulher Esqueleto”, descrito e analisado pela psicóloga junguiana e contadora de histórias Clarissa Pinkola Estés, no livro “As Mulheres que Correm Com Os Lobos”; 

livro este que apresenta mitos e histórias dos arquétipos da mulher selvagem.

 

“A Mulher Esqueleto”, é a história de uma menina que morrer, enquanto filha, jogada de um penhasco pelo pai, para renascer mulher, do fundo do mar, ao encontrar se com o amor de um homem pescador.

 

A história expõe a dinâmica arquetípica de vida-morte-vida que acontece, ciclicamente, em nossas vidas e nas nossas relações.

O contar a história é por si só um REJEUX.

Numa narrativa que segue uma dinâmica muito similar à dinâmica da ONDA.

 

Correlacionando a dinâmica de ciclos da história à “estratégia da onda”, pude

Construir os caminhos para a pesquisa coreográfica, assim como os movimentos em si.

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Narrativa imagética da

construção coreográfica

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